Na madrugada do dia 3 de janeiro, o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram sequestrados pelo governo dos Estados Unidos. Em uma operação conduzida por uma unidade de operações especiais de elite do Exército estadunidense, Maduro e Flores foram capturados enquanto a capital do país, Caracas, e outras três regiões, Miranda, Aragua e La Guaira, sofriam bombardeios.
A vice-presidente Delcy Rodríguez denunciou o sequestro e exigiu provas de vida de Maduro no início da manhã do dia 3. O governo venezuelano também declarou Estado de Emergência e convocou a população a ativar planos de mobilização. Donald Trump confirmou o sequestro por meio de um post na rede social Truth Social. Posteriormente, em coletiva de imprensa, o presidente estadunidense afirmou que os EUA governarão a Venezuela para conduzir uma transição, e que empresas estadunidenses irão operar na reconstrução da infraestrutura no país e da indústria de petróleo. No dia 4 de janeiro, no entanto, o secretário de Estado Marco Rubio afirmou que os EUA não pretendem governar o país, e que manterão a pressão por meio de um bloqueio à exportação de petróleo.
Maduro foi levado para Nova York e, de acordo com a procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, será julgado por quatro crimes: conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos, e conspiração para posse de metralhadoras e dispositivos explosivos contra os EUA.
O chanceler venezuelano Yván Gil solicitou uma reunião de emergência ao Conselho de Segurança da ONU, agendada para o dia 5 de janeiro. O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou em redes sociais que “os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável”. O presidente colombiano, Gustavo Petro, declarou que rechaça “qualquer ação militar unilateral”. Gabriel Boric, do Chile, também condenou a ação. Já Javier Milei, da Argentina, publicou que “a liberdade avança”. A Rússia exigiu a libertação de Maduro, classificando a ação como um “ato de agressão armada”. A China também exigiu a libertação do presidente venezuelano, classificando a ação como uma “clara violação do direito internacional”. Brasil, México, Chile, Colômbia, Uruguai e Espanha afirmaram, em comunicado conjunto do dia 4, que defendem uma solução sem “ingerência externa” na Venezuela. A União Europeia também divulgou comunicado no dia 4 defendendo que a transição democrática na Venezuela seja conduzida pelos próprios venezuelanos.
Maria Corina Machado, líder da oposição venezuelana, declarou que Edmundo González, que concorreu às eleições presidenciais da Venezuela em 2024, deveria ser nomeado presidente. Trump, no entanto, descartou a opção, afirmando que Machado não tem apoio nem respeito na Venezuela. Delcy Rodríguez foi nomeada pelo Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela como presidente interina, sendo reconhecida pelas forças armadas no dia 4 de janeiro. Em comunicado, Rodríguez adotou tom mais conciliatório, convidando os EUA a trabalhar junto em uma agenda de cooperação visando o desenvolvimento compartilhado.
Texto escrito por Thaís Jesinski Batista