

A edição 195 do Le Monde Diplomatique Brasil tem como tema “Os Rumos da América do Sul” A edição conta com os seguintes artigos de pesquisadores do OPSA:
Acesse a edição completa em https://diplomatique.org.br/edicao/edicao-195/

No dia 15 de outubro ocorreu o segundo turno das eleições equatorianas. Com 97,81% das urnas apuradas, o candidato Daniel Noboa, da Acción Democrática Nacional, está matematicamente eleito presidente do Equador, com 51,96% dos votos.
Em seu discurso de vitória, Noboa anunciou que pretende começar imediatamente a trabalhar enquanto novo presidente do país. Entretanto, será empossado somente em 25 de dezembro deste ano e permanecerá no cargo até 24 de maio de 2025, concluindo o mandato do atual presidente, Guillermo Lasso.
Noboa e Lasso compartilham a preferência por políticas liberais na economia. Discursando de casa e na presença de familiares, Noboa destacou o foco em políticas de educação, emprego e segurança. Cabe destacar que foi respeitoso com a adversária derrotada, sem manifestar críticas extremistas.A candidata perdedora, Luiza Gonzalez, felicitou seu adversário pela vitória e discursou junto a outros membros da cúpula do partido Revolución Ciudadana (RC5), ligado ao ex-presidente de esquerda Rafael Correa.
Gonzáles aproveitou para lembrar promessas de campanha, como a reativação da economia com apoio do Estado, a criação de vagas para estudantes na universidade, a recuperação da pensão de aposentados e a retomada do controle do sistema carcerário do país. Entretanto, membros do RC5, como o prefeito de Cuenca, declararam disposição em trabalhar conjuntamente com o novo presidente.
Texto escrito por Ghaio Nicodemos.


No dia 20 de agosto, o Equador realizou Eleições Gerais Antecipadas, motivadas pela dissolução da Assembleia Nacional, em maio, pelo atual presidente, Guillermo Lasso, cujo mandato foi encurtado.
A população votou para presidente da República e parlamentares nacionais e provinciais, assim como opinou em consultas populares sobre a exploração de petróleo na região amazônica de Yasuní e a mineração no território do Choco Andino.
O resultado da votação presidencial definiu que Luisa González, do partido de esquerda Revolución Ciudadana (o mesmo do ex-presidente Rafael Correa), e o candidato Daniel Noboa (mais próximo de Lasso), da coligação de direita Acción Democrática Nacional, irão para o segundo turno. Obtiveram, respectivamente, 33,3% e 23,6% dos votos.
Na sequência, Christian Zurita, do Movimento Construye, que substituiu Fernando Villavicencio, assassinado em 9 de agosto, ficou com 16,5% dos votos. Jan Topic, da coligação de extrema-direita Por Un País Sin Miedo, recebeu 14,7% dos votos. O segundo turno da eleição ocorrerá em 15 de outubro.
Para compor a Assembleia Nacional, o Revolución Ciudadana recebeu 39,4% dos votos. Na sequência, ficaram a Alianza Gente Buena (liderada pelo Movimento Construye), com 20,7% dos votos; a Alianza ADN, PID y Mover, com 14,8%; e o Partido Social Cristiano, com 11,8% dos votos.
Nas consultas populares, 59% do eleitorado votou por proibir a exploração de petróleo na reserva de Yasuní. Por sua vez, 68% escolheram proibir a mineração no Choco Andino, em qualquer escala (artesanal, pequena, média e grande).
Texto escrito por Ghaio Nicodemos.

Está disponível a nova edição do Boletim OPSA, que inclui:
Acesse a edição completa aqui.

No dia 15 de agosto, Santigo Peña, do Partido Colorado, assumiu o cargo de Presidente do Paraguai, em mandato que irá até 2028. Para o cargo de Vice-Presidente,foi eleito o político e empresário Pedro Alliana.
Na ocasião, estiveram presentes diversos líderes e representantes de Estados ao redor do mundo, com destaque para os sul-americanos Luiz Inácio Lula da Silva, Luis Lacalle Pou, Alberto Fernández, Luis Arce e Gabriel Boric, bem como o rei Felipe VI da Espanha e representantes de Taiwan e São Vicente e Granadinas.
Em seu discurso de posse, o qual teve uma parte lida em guarani, Penã afirmou que buscará melhorar a qualidade de vida do povo paraguaio e que trabalhará para que o mundo veja o renascimento de um gigante: “dirijo-me a vós com humildade e determinação, e prometo sustentar e consolidar as competências necessárias para governar com sucesso. Quero deixar bem claro, o sucesso é melhorar a vida de todos os paraguaios e que o mundo veja o ressurgimento de um gigante”.
Em termos de política externa, discursou que o Paraguai se baseia “no respeito aos interesses nacionais, na diplomacia efetiva, na promoção do comércio e do investimento, no desenvolvimento de capacidades, na segurança nacional e na promoção de nossos valores e interesses no cenário internacional”.
Ademais, salientou que, sob seu comando, o Estado se encontra determinado a configurar-se como o centro da integração sul-americana.
Texto escrito por Stephanie Braun.

Javier Milei, da coalizão de extrema-direita Libertad Avanza, foi o mais votado nas eleições primárias para presidente na Argentina, realizadas ontem. Conhecidas como PASO, elas servem para definir os candidatos que concorrerão à presidência, em eleição marcada para 22 de outubro.
Milei conquistou 30% dos votos. O resultado foi surpreendente, já que, na maioria das pesquisas de opinião, sua chapa aparecia em terceiro lugar.
As propostas de Milei combinam elementos ultraliberais, como o fim do Banco Central e a dolarização da economia, com elementos conservadores, como o fim do aborto legal e do casamento homoafetivo. As mudanças climáticas são tratadas como uma “farsa da esquerda”. No discurso após o resultado, Milei afirmou que a “justiça social é uma aberração”.
Em segundo lugar, ficou Patricia Bullrich, da coalizão Juntos por el Cambio, com 28,3% dos votos. Ela foi ex-ministra da Segurança Nacional no governo de Maurício Macri. Propõe endurecer o combate à criminalidade e flexibilizar o controle do Estado sobre a economia.
Finalmente, em terceiro lugar, apareceu Sergio Massa, com 27,3% dos votos. Ele é o atual ministro da Economia no governo de Alberto Fernández. O aprofundamento da crise econômica nos últimos anos pode ser um obstáculo para a chapa governista. A inflação atingiu o patamar de 115,16%, no acumulado dos últimos 12 meses.
Todas as demais coalizões ficaram com menos de 4%, após 97,4% das urnas serem apuradas. O comparecimento foi de 69,6%, sendo 4,8% de votos brancos e 1,2% de nulos.
Texto escrito por Jefferson Nascimento.


Em 8 e 9 de agosto, presidentes e outras autoridades dos oito países sul-americanos que abrigam a floresta amazônica se reuniram na cidade de Belém para a IV cúpula de chefes de Estado dos países signatários do Tratado de Cooperação Amazônica, assinado em 1978. Encontros semelhantes ocorreram apenas em 1989, 1992 e 2009.
A cúpula produziu a Declaração de Belém, documento com 110 compromissos para o desenvolvimento sustentável da Amazônia.
Entre as medidas, prevê-se o fortalecimento da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), criada em 1995, e a reativação de suas comissões temáticas para Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia, Saúde, Educação, Infraestrutura e Comunicações, Assuntos Indígenas, Transporte e Turismo, além da criação de novas comissões, como Segurança Pública.
A declaração também elogia a criação do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia e estabelece o Foro de Cidades Amazônicas, o Parlamento Amazônico, um Painel Técnico-Científico para a produção de dados ambientais, um mecanismo de diálogo entre governos e povos indígenas e um sistema integrado de controle aéreo.
Além disso, os países almejam construir posições comuns em fóruns internacionais, sobretudo para exortar os países desenvolvidos a cumprirem promessas de financiamento climático.
Críticas ao descumprimento destas promessas também foram expressas em um comunicado conjunto, chamado Unidos por Nossas Florestas e assinado pelos líderes sul-americanos e por representantes da Indonésia, da República do Congo e da República Democrática do Congo.
A cúpula presidencial foi precedida, nos dias 4 a 6 de agosto, pelos Diálogos Amazônicos, uma série de 300 eventos com participação de 27 mil pessoas da sociedade civil e de órgãos de Estado. Propostas foram consolidadas em seis relatórios entregues aos chefes de Estado. Também foi elaborada a Carta dos Povos Indígenas da Amazônia.
Texto escrito por Diogo Ives.
