

Luiz Inácio Lula da Silva assumiu hoje a presidência rotativa do Mercosul. Em discurso durante reunião do bloco realizada em Puerto Iguazú, na Argentina, Lula criticou o Instrumento Adicional apresentado pela União Europeia, em março deste ano. Afirmou que “parceiros estratégicos não negociam com base em desconfiança e ameaça de sanções” caso não cumpram metas ambientais voluntárias. Além disso, enfatizou que o Mercosul deve apresentar uma resposta “rápida e contundente” às condições propostas pela União Europeia para a conclusão de um acordo econômico entre os dois blocos.
O Brasil assumiu a presidência do grupo formado por Argentina, Paraguai e Uruguai por um período de seis meses. Entre os temas centrais já citados pelo governo brasileiro para a agenda deste semestre, além do acordo entre União Europeia e Mercosul, estão a criação de uma moeda comum no bloco, a intenção do Uruguai de negociar um acordo comercial com a China, a crise econômica na Argentina e a adesão da Bolívia como membro-pleno. O fim da suspensão da Venezuela, em vigor desde 2017 por ruptura da ordem democrática, não foi mencionado
Texto escrito por Guilherme Alves.



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Representantes de 10 países da América do Sul se reúnem hoje (30/05), em Brasília, após convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O início da reunião da cúpula regional aconteceu no Palácio do Itamaraty, em Brasília. Pela manhã, os convidados foram recebidos pelo presidente Lula e proferiram discursos. Na parte da tarde, estão previstas conversas mais informais com cada um dos presidentes, outros representantes dos governos e seus respectivos assessores. Para o encerramento do encontro regional, está previsto um jantar no Palácio da Alvorada.
Na abertura do encontro, o presidente Lula sugeriu dez temas diferentes para discussão ao longo do dia, incluindo uma moeda comum, economia, regulação, atualização da cooperação, meio ambiente, saúde, energia, educação e defesa. Além disso, houve forte menção à retomada da integração entre os países. Como primeiro encaminhamento, Lula sugeriu a criação de um grupo formado por representantes de cada país, que seria responsável por apresentar propostas para a integração da América do Sul dentro de 120 dias a partir desse encontro. Participaram da reunião os presidentes da Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Suriname, Uruguai e Venezuela.
Texto escrito por Guilherme Alves.


No dia 17 de maio, um dia após depor na Assembleia Nacional em um processo de impeachment que poderia dar fim a seu mandato, o presidente Guillermo Lasso assinou o decreto 741/2023, que dissolve a Assembleia e notifica o Conselho Nacional Eleitoral para convocar novas eleições em até sete dias.
O mecanismo constitucional, apelidado de morte cruzada, pode ser utilizado uma vez pelo presidente equatoriano durante os três primeiros anos de mandato, quando diante de uma profunda crise política e institucional. Com isso, Lasso governará o país interinamente através de decretos-lei de urgência econômica até a eleição de uma nova Assembleia Nacional, cujas decisões passarão apenas pela revisão da Corte Constitucional.
Lasso é acusado de corrupção passiva e favorecimento de empresas em contratos públicos, sofre com baixa capacidade de governabilidade e com um recente fortalecimento dos partidos de esquerda oposicionistas e descontentamento da população com o aumento do custo de vida e da violência de narcotraficantes.
Texto escrito por Ghaio Nicodemos.


Equador e China iniciaram as negociações de um tratado de livre-comércio (TLC) em março de 2022 e concluíram as negociações em dezembro do mesmo ano. O TLC, assinado na última quarta-feira, 10 de maio, abrange 99,6% dos produtos equatorianos e permitirá o acesso do país sul-americano ao mercado chinês sem o dispêndio de tarifas alfandegarias.
O TLC seguirá para análise da Corte Constitucional e ratificação da Assembleia Nacional. Ficaram de fora do acordo a prestação de serviços, investimentos e compras públicas, além de excluir 800 mercadorias chinesas dos setores têxtil, de calçados e cerâmicas. Alguns produtos equatorianos terão a implementação gradual da redução tarifária ao longo de cinco a dez anos, enquanto outros produtos usufruíram do fim das tarifas alfandegárias já no início da vigência do acordo.
O ministro do Comércio Julio José Prado e o presidente Guillermo Lasso tem expectativas positivas para o acordo comercial com a China, visto que a balança comercial entre os dois países é favorável ao Equador e espera-se que as exportações não-petrolíferas do país cresçam de 3 a 4 bilhões com o novo TLC. O governo equatoriano também espera que a assinatura do tratado pressione os EUA a assinar um acordo similar, visto que o governo estadunidense vem adiando a abertura de negociações de um TLC com o Equador.
Texto escrito por Ghaio Nicodemos.
